terça-feira, 15 de janeiro de 2008

o curso, visto por quem vai a meio

Sr. Director do meu curso

Sou aluno do 3º ano do Mestrado Integrado em Engenharia Industrial e Gestão. Já percorri 5 longos semestres, faltando-me agora outros tantos para terminar o curso. Envio este mail, pois gostava que soubesse que o desinteresse pelo curso é crescente no seio dos alunos. Esse desinteresse é facilmente explicável pois a grande maioria de nós é atraída pela palavra "Gestão". Sei e sabemos, que o curso tem a componente "Industrial" e é a conjugação dos dois termos que o torna diferente, especial. Mas, ao longo dos 5 semestres que já percorri (e deixo de falar na 1ª pessoa do plural falando, a partir de agora, na 1ª do singular), conto pelos dedos de uma mão as disciplinas de Gestão. Estas encontram-se concentradas nos últimos 2 anos do curso. Mas deixar o curso, despido de Gestão durante 3 anos, é muito. O curso deveria ser apaixonante, algo que me fizesse estudar por gosto, de maneira entusiasmada. Não o é. Sendo que pelo menos um semestre será passado fora, no âmbito do programa Erasmus, fica ainda mais reduzido o tempo que espero achar estimulante na FEUP. Tratando-se do que irei fazer para o resto da minha vida, há aqui um enorme problema. O desinteresse, e desilusão às vezes, é reacção não apenas dos temas leccionados mas também da maneira como o são e das avaliações. Já fui alvo de tremendas injustiças, já fui até chamado de mentiroso por um professor. Professores que na avaliação de um relatório individual, dão 16 valores a toda a gente? Além de pouco profissionalismo, demonstra uma tremenda falta de respeito pelo trabalho realizado por nós. Professores que fazem a chamada em aulas teóricas e depois na aula se limitam a ler os acetatos? Aulas práticas que mais parecem um ditado através dum acetato. Qual a motivação de ir uma aula dessas quando esses mesmos acetatos são disponibilizados na página da disciplina. Ir tirar dúvidas ao gabinete de um professor e obter como resposta "a máquina calcular faz isso" também não ajuda. Trabalhos de grupo de dois elementos em que um deles tem pior nota, não se sabendo porquê, até porque não corresponde à verdade, também já me aconteceu. Não quero com isto dizer que nenhum professor se preocupa com os alunos. Não está em causa o conhecimento de professor algum, até porque tenho clara consciência que não sei 1/100 do que os professores sabem. Mas ser professor não é apenas saber muito, é saber transmitir esses conhecimentos e dialogar com os alunos. Gostaria de realçar a minha total admiração por professores como António Ferreira que ao cruzar com um qualquer aluno ou ex-aluno cumprimenta e troca umas palavras, o professor Sarsfield, o professor António Brito, a professora Ana Camanho, Carlos Alberto Conceição António, entre outros. São professores que me dão gosto de continuar a estudar, para um dia quem sabe, vir a ser como eles.

Após tanto desinteresse, surge a pergunta mais óbvia: "Estou no curso certo?". Não sei, vou continuando a fazer as minhas disciplinas e daqui a 5 semestres espero já ter uma resposta.

Estaria também eu a cometer uma tremenda injustiça se só de aspectos negativosfalasse. Vive-se dentro do curso uma camaradagem entre os alunos, de diferentes anos também, ímpar. Alunos ajudam-se, explicam matérias, fornecem apontamentos. São mais que colegas e é com a maior satisfação que digo que no meu curso não tenho colegas, tenho amigos.

Espero com isto ter aumentado um pouco o diálogo aluno/professor. Não é objectivo do presente mail, criticar fácil, é sim a de dar a conhecer a minha opinião, que vale o que vale.

Atenciosamente,

Afonso Moreira

4 comentários:

Anónimo disse...

Não poderia estar mais de acordo com o que o Afonso escreveu. Eu, como ele, como a grande maioria dos nossos colegas fomos atraídos para este curso pela componente de "gestão" que se dizia ter. É óbvio que ele não quer com isto a atribuir a culpa da sua escolha a quem quer que seja, mas é muito mau estarmos já a meio do curso e não conseguirmos praticamente ter nada que nos faça estudar por gosto. Não fosse a tremenda capacidade de trabalho e mesmo inteligência da maioria dos alunos e os resultados seriam muito maus. Digo isto não só pelo desinteresse de algums temas mas também falta de competência de muitos docentes. Se a isto juntarmos infustiças escandalosas com as quais, infelizmente, tivemos que aprender a saber lidar, são facilmente compreensíveis os níveis de frustração que alguns de nós sentimos. No entanto continuo na esperança que isto melhore, que esta seja a fase "chata" do curso. Devo também dizer que sinto muito orgulho em pertencer não só ao curso que frequento mas fundamentalmente ao grupo de parceiros de vida que por lá tenho. Um abraço a todos

Anónimo disse...

Tu tens amigos?
LLLLLLLLLLOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLL

Stuck @ Zero disse...

Engraçado... Quando me disseste que ias escrever ao Prof.F&C achei que era uma atitude um pouco adolescente sem repercussões.

Só agora que li é que me revi espectacularmente num texto intitulado "Visão a meio tempo do meu curso", escrito já lá vão 4 (quatro???) anos, ou 8 semestres (na vossa linguagem). O conteúdo era semelhante, a base da revolta era a mesma, embora, claro está, o que eu visse como problema chave não fosse a "falta de gestão" mas sim o excesso de cromice LEIC.

A verdade é que o Prof. V. ouviu, quis saber, e até chegou a implementar algumas medidas que foram de encontro ao que eu reclamava.

Passados 7 anos desde a entrada na FEUP, reconheço que passei o curso todo a queixar-me, fiquei conhecida perante muitos profes como a "crises existenciais", a "revoltada". Estagnar é morrer.

Há que passar a mensagem do desconforto para que quem dá a cara aos futuros "inginheiros" oiça pelo menos o sussurro da exigência de qualidade. O contrário não é plausível.

Vou procurar o texto.

neca disse...

Puxa, corre na família!

Eu também me queixo incessantemente ao director sobre o que acho que está mal. Às vezes traz problemas, às vezes ajuda. Uma coisa é certo, uma faculdade como uma empresa tem de existir para servir, e os clientes/alunos são os principais interessados, é preciso ouvi-los e satisfazê-los!

Só descobri o blog hj, mas já está nos RSS! ;)

Certifica-te que pões a resposta tb!